Por que Decotelli caiu e Salles segue em frente?

Depois de dez dias no cargo, em 2006, a ministra Cecília Stegö Chilò renunciou ao cargo. Cultura Ministra de Estado na Suécia por este curto período ela teve de sair porque deixou de pagar direitos trabalhistas para os trabalhadores domésticos. A demissão rápida mostra como as coisas funcionam em um país que resolveu problemas de fraude eleitoral no início do século XX. Nós não somos-e não temos de ser-como os suecos. Mas por que o caso de Carlos Alberto Decotelli, autodenominado ministro da Educação por cinco dias, nos envergonha tanto?

Para entender isso, lembraremos Ricardo Salles (Novo Partido), ministro do meio ambiente. Sete anos antes de ser convidado para o ministério, Salles publicou um artigo na "Folha de S. Paulo", que se apresenta como mestre em direito público pela Universidade de Yale. Apoiou a informação até o início de 2019, quando Yale negou que Salles tenha encostado em qualquer coisa lá. O ministro disse que é "ideia errada de conselho". Seu partido não se queixou e o governo seguiu como de costume.

Este caso é tão grave quanto o de Decotelli, que foi comandado como um "médico" da Universidade do Rosário sem fazer a barba.

Caso Salles teve após a divulgação da mentira, pudemos dizer que o Brasil tem um padrão sueco de ética política. Mesmo que políticos corruptos sejam escolhidos para compor o ministério, o dano reputacional pelo golpe é suficiente para forçar a demissão. Recentemente, apenas o caso Decotelli se encaixa com essa lógica.

Talvez o fato de o quase-médico ter pleiteado com o Ministério da Educação tenha sido relevante. Os lírios acadêmicos no meio ambiente podem ter um peso menor para a reputação do político. Salles também faz parte do partido político desde 2006-PFL/DEM de 2006 a 2018, e depois o Partido Novo-ao contrário de Decotelli.

Ricardo Salles é branco e você não pode descartar que o racismo vai levar um político negro a cumprir um padrão ético mais restrito do que brancos. Decotelli nunca tinha ocupado nenhum cargo público, ao contrário de Salles, que era ministro do Meio Ambiente em São Paulo.

Ao final das contas, Decotelli teve azar. Toleramos fraudes de ministros, sim, desde que eles tenham organizações e experiência que estão batendo.

(Este artigo expressa a opinião do autor, não necessariamente a opinião institucional da FGV.)