Cosan simplifica estrutura para levar Ometto ao mercado

Rubens Ometto, controlador da Cosan: Investor admira o entrepre, mas teme o sócio controlador (Germano Lüders / Exame Hoje)

É tão esperado que a estrutura de propriedade da empresa do Grupo Cosan, um império que teve um volume de negócios de 73 bilhões de reais no ano passado e que é estimado em B3 para quase 30 bilhões, foi simplificada. Quase uma década de espera. " Nossa mensagem mais importante é a de que esta operação será justa com todos os acionistas do grupo. Não se trata de uma transação a favor de Rubens [Ometto], " O presidente do conglomerado, Marcelo Martins, explicou em entrevista exclusiva à TIN.

A operação anunciada na sexta-feira à noite é o início da inversão da pirâmide social do grupo, de forma social. Para o fim e para o cabo a partir desta etapa, os acionistas da holding listada em Nova York Cosan Limited (CZZ) e Cosan Logistics receberão ações da Cosan S.A., que será o único veículo de investimento do empresário Rubens Ometto. As demais empresas deixarão de existir como empresas abertas.

Martins ' As aspas podem ser consideradas demagogia em qualquer outra transação de mercado. Mas, neste caso, a situação é bem diferente. O executivo sabe que o investidor da Cosan foi "escovado para cima" desde que Ometto decidiu listar o CZZ, em Nova York, com uma estrutura de surtos em 2007-apenas dois anos após a abertura de capital no Novo Mercado. No momento da listagem em NY, o grupo foi "acusado" de derrubar o princípio de "uma parcela, um voto", que acabou por ajudar a reviver o mercado de capitais brasileiro. Começou quase uma crise institucional com a bolsa em si, que ainda era Bovespa.

Poucos anos depois, Ometto já admitia que o modelo não era bom e sinalizava com simplificação. O mercado está esperando há anos. Agora, o plano é bem acertado que consertar, o que, diz Martins vai dar a uma empresa "muito mais líquida e mais transparente". Se não for por esse caminho, o Poder Executivo sabe que será indiciado por investidores. Devido à existência da CZZ, a Cosan será uma empresa com ADRs, que só hoje foi por causa da holding internacional.

Em 2018, o grupo tentou iniciar este movimento com a reestruturação da Cosan Logística e Rumo à Rumo. A desconfiança do mercado de que a transação com acionistas minoritários não seria "justa" levou o conglomerado a retirar a equipe de campo e cancelá-lo na loja.

" Costumo diz que somos uma pirâmide inversa. Tenho uma empresa operacional listada publicamente [Rumo] e três participações [Cosan Logistics, Cosan e CZZ]. Isso vai acabar ", disse. Martins disse. "Nós levamos tanto tempo para finalmente começar esse processo, porque queríamos estar prontos para fazer isso da melhor maneira possível."

Trocando em mitologia: Ometto gastou esse tempo ampliando sua parte e se preparando para manter o controle-ainda que na minoria-para não perder. Durante todo esse tempo, o entreptite indicou que a compra de mais de seu próprio negócio foi o melhor investimento, em sua compreensão. Mas isso está longe de resumir a empreitada de Ometto.

Nessa área, ele veio da posição de maior proprietário de usinas de açúcar e álcool, para o empreendedor dos setores de combustível, lubrificante, gás e controlador da maior rede ferroviária do país.

O investidor gosta do empresário Rubens, ou Binho, como é conhecido pelo próximo. Mas ele teme Rubens como sócio-a desconfiança, que é ainda mais sensível. A criação de um único portfólio de investimento para a Ometto deverá colocá-lo na mesma horizontal de seus investidores e permitir o fim deste sonhador. As condições até então são à prova de fogo.

Em 2010, a Cosan era uma empresa com um EBITA de 600 milhões de reais por ano. Em 2019, essa linha-não existente no balanço formal-ascendeu a 14 bilhões de reais, mas a referência de mercado. As ações do Grupo tiveram uma valorização de 481% sobre o mesmo recorte.

O que o mercado sabia é que essa transação só viria a se dizer se Ometto teria conforto, que não perderia o comando do negócio. As aquisições aceleradas de ações da Cosan S.A. em B3 pela CZZ, que foram destacadas pela EXAM IN, já fizeram os investidores cientes de que esta simplificação tem sido por aí. De fevereiro a maio, foram quase 800 milhões de reais da holding americana em ações da Cosan S.A.

Em um próximo passo, ainda sem data e sem previsão, o plano é trazer a compasso B3, que possui a Comgás, a Raízen, que é controlada na empresa com a Shell, e até a Moove, de lubrificantes. O processo mais complexo será a listagem da Raízen, já que vai depender da descontinuação com o parceiro internacional. A coisa mais fácil de se fazer é a de Moove, que já tem um parceiro minoritário. O tack, que agora é controlado pela Cosan Logística, permanecerá aberto. No futuro, os acionistas poderão escolher se ficam ao lado de Ometto, em qualquer negócio, ou apenas nas empresas operadoras que preferir.

Com cerca de 53 do CZZ (que por sua vez tem 66 de Cosan), Ometto deixará a reorganização com uma Fata próxima a 40 do capital total da holding. Levando em conta a família Rezende Barbosa, que é sobre parceiros a partir da aquisição da Usina NovAmérica, a parcela deve ficar pouco abaixo de 45. No entanto, Rezende Barbosa, maior acionista do Indusval Bank (hoje Voiter), vem em um processo de diversificação de seu patrimônio.

Para aceitar IN, Martins repetiu a mensagem da declaração de que os ratings que devem ser definidos para as transações eliminam os descontos de postura existentes entre as empresas.

O modelo para a transação segue parecer 35 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Fora da questão jurídica, isso significa que cada empresa formou uma comissão especial com membros independentes, que negociará os termos da transação de acordo com o valor de cada uma das empresas-ou seja, abundam CPFs que sabem que o mercado vai olhar com a ampliação de cada conta e com a promessa de Martins em mente. A expectativa é de que todo o processo leve cerca de seis meses.