Sem titular por 50 dias, saúde defende cloroquina e dispensa isolamento com isolamento

Ainda mais polêmico no cargo, Eduardo Pazuello é apontado por colegas de governo e secretários de saúde locais como mais influentes e poderosos do que o último titular da pasta (José Dias/PR/Flickr)

O Ministério da Saúde completa 50 dias sem titulares no cargo neste sábado, 4. A vaga é ocupada pelo general Eduardo Pazzuello interinamente e o presidente Jair Bolsonaro não deu qualquer sinalização de que está à procura de um nome para a pasta que está enfrentando suas missões com a pandemia do novo coronavírus. O país, o segundo com o maior número de mortes e casos do novo coronavírus no mundo, tem 63.254 mortes e mais de 1,5 milhões de mortes confirmadas.

É a primeira vez desde 1953 que o ministério permanece sem titular por tanto tempo. Neste ano, de agosto a dezembro, Antônio Balbino ordenou a pasta, enquanto ao mesmo tempo foi chefe do Ministério da Educação (MEC). As duas pastas tinham acabado de se separar.

Em outras ocasiões, Bolsonaro foi ágil. Quando Sérgio Moro se demitiu do Ministério da Justiça e da Segurança Pública, ele foi substituído por André Mendonça em cinco dias. O economista Carlos Decotelli assumiu também o MEC cinco dias depois de Abraham Weintraub deixar o cargo. O treinamento retornou a nenhum ministro cinco dias após a nomeação de Decotelli, mas neste caso espera-se que em breve sua substituição seja anunciada.

Na própria pasta de saúde, foi assim quando Luiz Henrique Mandetta (DEM) deixou o cargo. Nelson Teich assumiu no dia seguinte. Sob o Comando Interintermediário do General Pazuello, o Ministério abandonou a defesa do distanciamento social mais rígido e seguiu em frente, tratamentos para o covid-19 sem o uso de instalações médicas e científicas, como o uso de hidroxicloroquina. A pasta também perdeu técnicos com décadas de experiência no SUS e nomeou pessoal militar para cargos estratégicos.

Veja também
  • Ministro da Saúde vai a evento no Palácio do Planalto sem máscaraBRASILMinistro da Saúde vai ao evento no Palácio de Plateaus sem máscaraquery_builder 30/06 2020-17h06
  • BRASILBrasil não aprende com erros no combate Covid-19, diz Teichquery_builder 30/06, 2020-13h06

Ainda mais polêmico no cargo, Pazuello é destacado pelo governo e pelo local secretarias de saúde como mais influentes e poderosas do que pond, último dono da pasta, que foi convidado a renunciar em 15 de maio. Os primeiros movimentos do Ministério da Saúde sob a Gestão Interina escancaram a brusca mudança de posicionamento do governo federal.

Em 20 de maio, o órgão publicou diretrizes para o uso de cloroquina desde os primeiros sintomas do novo coronavírus, mesmo sem a droga, que representava a eficácia contra a doença. O movimento foi uma exigência de Bolsonaro e passou por recomendações dos próprios técnicos e das instalações de saúde do ministério.

O ministério também suspendeu a advocacia de benefícios por meio de estratégias de distanciamento social e mapeamento para quarentena. A pasta usa como sinal o argumento distorcido de que o Supremo Tribunal Federal (STF) removeu esse poder da união. Pazuello e seus subordinados disseram que cabe a estados e municípios pensar sobre essas medidas.

Ao médico Sérgio Cimerman, coordenador científico da Sociedade Brasileira de Infectiologia (SBI) e colunista do Estadão, o ministério é "acéfalo". " Pazuello forma sua equipe e ocupa posições. Mas não é embasar nenhuma sociedade científica em nada. Se não temos um órgão federal que dê um norte aos planos de ação no setor da saúde, ficamos muito perdidos. A população se sente em pânico ", disse, em um debate sobre a doença, que foi relatado pelo Estadão na quinta-feira, 2.

no mesmo evento, o ex-secretário de vigilância em saúde do ministério Wanderson Oliveira referiu-se à" preocupação " para o tempo do ministério. Para ele, que é epidemiologista, a resposta ao covid-19 se manteve "errática, esquizofrênica, fragmentada ao longo do tempo". Além da pandemia, Oliveira alerta para o risco de evitar o monitoramento de doenças já conhecidas como dengue, gripe e sarampo.

O momento de maior exposição de Pazuello à crítica veio no início de junho, quando para atender o desejo de Bolsonaro de reduzir as consequências pelo número de mortos, o ministério mudou o formato da divulgação das estatísticas. A ideia era esconder as mortes de datas anteriores que ainda aguardavam a confirmação. O portal com dados do ministério saiu do ar, mas a divulgação foi retomada após intensa pressão dos Poderes, da sociedade e por decisão da Justiça Federal (STF).

O médico sanitarista e presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), Gulnar Azevedo, explica que a "desarticulação" do Ministério na luta contra o covid-19 aumenta o discurso da pandemia no país. " Há uma total falta de liderança que possa acomodar o processo. O ministro está entretanto. Um militar que não se formou para isso ", Ele disse.

Apesar do salto de casos (de 218 para mais de 1,5 habitantes) e mortos (de 14,8 para mais de 60) na gestão pazuello, o presidente tem dito repetidamente que o ministro interino pode fazer uma boa gestão e ser efetivado. " Estamos com uma falta na Saúde, mas se bem com o Pazuello está indo muito bem. A parte de gestão é extraordinária. O que nunca deve ser visto na história. Sabemos que ele não é médico, mas está com uma equipe fantástica no ministério, " disse no dia 25 de junho, na transmissão nas redes sociais.

Pazuello já acompanhou a cabeça na manifestação pró-governo em Brasília, com aglomeração, e já foi vista sem máscara no evento no Palácio do Planalto. As duas situações se opuseriam a recomendações de autoridades de saúde para evitar a propagação do vírus.

Secretarias de estados e municípios, em geral, preferem Pazuello ao pontapé antecessor. De acordo com os gestores do SUS, como não há mais nenhuma esperança de que o ministério coordene a estratégia de quarentena, ela serve de mais consolo para o diálogo e agilidade para o fornecimento de recursos e equipamentos, demonstrados por Pazuello.

O ministro interino ainda tem bom trânsito para o meio político. Nas últimas duas semanas, ele recebeu aliados do presidente Bolsonaro e lidera do Centrão, um grupo de partidos que receberam cargos e verbas para votar com o governo no Congresso Nacional. Ele se reuniu hoje dias com o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e com os deputados Arthur Lira (PP-AL), Marcel Van Hattem (Novo-RS), Fábio Rabalho (MDB-MG), Ricardo Barros (PP-PR), Hugo Leal (PSD-RJ) e Giovani Cherini (PL-RS).

Pazuello no entanto, declarações de submissão à imprensa. Desde que assumiu a saúde, não é em cada presseconferência-também nesta que anunciou a maior agenda positiva de sua administração: uma parceria para pesquisa e produção de vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford e a farmacêutica AstraZeneca.

Staff

O general foi pintado pelo "Banco de Talentos" das Forças Armadas para entrar no Ministério da Saúde. Inicialmente, ocupou o cargo de Secretário Executivo na gestão de Teich. Durante este período, ele já foi destacado por secretários locais como o atual ministro da Saúde.

Desde a extinção da Mandetta, em 16 de abril, técnicos deixaram o ministério com mais de uma década de atuação no SUS. Um exemplo é o ex-secretário Wanderson Oliveira, que vinha carregando pela pasta desde 2001.

Sob a ordem provisória de Pazuello, os cargos estratégicos da pasta de militares foram resolvidos. Há mais de 20 nomeados que são 14 dos ativos. Estão atuando principalmente nas áreas de gestão de dados, recursos humanos, orçamento, logística e contratos.

O ministro interino ainda fez alterações em cinco das sete cadeiras das secretarias de saúde. Para o Secretário Executivo, o "Número 2" do Ministério, o oficial de reserva Elcio Franco Filho foi nomeado.

O PL, Partido do Centrão, gefiebert o doutor em bioquímica Arnaldo Correia de Medeiros como Secretário de Monitoramento de Saúde (SVS), contribuição fundamental para a elaboração da estratégia de combate ao Covid-19 e outras doenças. O coronel Luiz Otávio Franco Duarte tornou-se secretário de Atenção Especializada (SAES), responsável, entre outras coisas, pelo cálculo dos leitos através do país.

Seguidor de Olavo de Carvalho, autor considerado "guru do bolsonarismo", o médico Hélio Angotti Neto tornou-se secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e insumos estratégicos (SCTIE). A pasta trata da análise de novos tratamentos para o SUS e desenvolvimento do parque fabril de drogas.

Ativista "antiaborto", o médico Raphael Câmara de Medeiros Parente assumiu a Secretaria de Atenção primária (SAPS), que organiza medidas de cuidados básicos em unidades de atendimento.

Além das novas secretarias, Pazuello ocupou no ministério a médica Mayra Pinheiro, secretária de Gestão do Trabalho e Educação (SGTES). O novo Pinheiro é porta-voz do presidente Bolsonaro, e se tornou porta-voz do Ministério da cloroquina. Além disso, o coronel da pasta Robson Santos Silva, Secretário Especial de Saúde Indígena (SESAI).

Queria comentar a gestão de Pazuello, o Ministério da Saúde compartilhou o Compromisso &#8220#8221; de garantir a "eficácia das ações" contra o covid desde o início da pandemia. A pasta disse ainda que trabalha com um corpo técnico qualificado, mantendo a "normalidade das atividades da pasta".